2 de dezembro de 2012

Banda do Mês: Headhunter DC



Brutal, intenso, profano, violento. Estas provavelmente são as melhores definições para este verdadeiro culto do Death Metal Brasileiro, surgido há exatamente 2 décadas em um remoto Outono na cidade de Salvador, BA, região Nordeste do Brasil. Muita coisa já passou, muitos músicos já cruzaram o seu caminho, mas o HEADHUNTER D.C. continua sua árdua batalha e prepara-se para tomar de assalto o cenário Underground mundial mais uma vez, mostrando a todos como é possível evoluir sem deixar de lado a verdadeira essência. E no caso da banda, a palavra “essência” significa simplesmente Death Metal.

A saga de devoção ao Death Metal do HEADHUNTER D.C. começa em Maio de 1987, quando o guitarrista Paulo Lisboa decide formar uma nova banda após a dissolução do seu antigo grupo, o TÚMULO, banda pioneira do Metal Extremo na Bahia e certamente uma das primeiras nessa forma mais brutal de se tocar Heavy Metal em todo o Norte/Nordeste. Juntam-se à ele o baixista Luciano, o vocalista Eduardo “Falsão” e o baterista Iaçanã Lima, que na época tocava no legendário ThrashMassacre. Ainda antes do primeiro aniversário, a banda estréia ao vivo, só que já contando com Ualson Martins no lugar de Luciano.

Em 89 o Headhunter D.C. lança a demo-tape “Hell is Here”, a qual obtém uma ótima repercussão na cena, sendo inclusive distribuída nos EUA pelo selo Wild Rags Records. Na verdade, as músicas desta demo integravam um EP intitulado “Noise”, o qual jamais fora lançado. A aceitação de “Hell is Here” na cena é tamanha que no ano seguinte o HEADHUNTER D.C. assina com o famoso selo mineiro Cogumelo Records, o mesmo que lançou bandas como SEPULTURA, SARCÓFAGO, MUTILATOR, HOLOCAUSTO, SEXTRASH e outras. Antes disso, o vocalista Falsão deixa o grupo, sendo substituído por Sérgio Baloff, que também chegou a fazer parte do ThrashMassacre em seus últimos dias.

1991 é o ano de lançamento do clássico début LP “Born...Suffer...Die”, que eleva o nome do HEADHUNTER D.C. nacionalmente. Surgem então as primeiras apresentações em outros estados, e a banda rapidamente torna-se um dos maiores expoentes do Death Metal Brasileiro. Neste período o grupo sente a necessidade de mais uma guitarra para que seu som continue tão avassalador ao vivo quanto em estúdio, então Simon Matos (ex-PUTREFACTION) é convocado a unir-se aos “caçadores de cabeça”.

Dois anos após o álbum de estréia, o HEADHUNTER D.C. lança “Punishment At Dawn”, também pela Cogumelo. Neste disco a formação do grupo registra mais uma alteração: o mineiro Túlio Constantin (ex-CALVARY DEATH) assume as baquetas no lugar de Iaçanã. Com nova formação e uma postura musical e ideológica mais desenvolvida, a banda sai em sua primeira turnê, batizada de “Punishment Tour”, e entre os anos de 93 e 94 o HEADHUNTER D.C. se apresenta nos estados da Bahia, Sergipe, Ceará, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Enquanto isso, o álbum é distribuído na Europa pelo selo Holandês Black Water Records.

De volta à Bahia, novos problemas de formação: Túlio e Ualson deixam a banda e são substituídos por André Moysés (ex-SEPULCHRAL, ex-MERCY KILLING) e Alberto Alpire (ex-KADDISH, ex-OBLITERATION), respectivamente. O HEADHUNTER D.C. começa então uma nova fase. Tantas atribulações fazem com que a sonoridade do grupo amadureça ainda mais, sem, no entanto, jamais abandonar a antiga veia de fúria e agressividade que sempre foi uma característica fundamental das composições da banda. Em outras palavras, sua fidelidade às antigas tradições do Death Metal e às suas próprias raízes permanecia intacta, assim como viria a ser em seus futuros lançamentos.

Além de amdurecerem em sua música, tornando-a cada vez mais brutal, obscura e pesada o HEADHUNTER D.C. passa também por algumas mudanças temáticas. As letras do grupo tornam-se mais profundas, introspectivas e contestadoras, expressando o descontentamento dos músicos perante o mundo em que vivem. A insatisfação e a infelicidade são retratadas através de mórbidas metáforas, onde a morte é uma constante e os mais belos sonhos tornam-se terríveis pesadelos, simbolizando a iminente chegada de uma nova Era Negra. Aliado a isto, as leis e dogmas sagrados são impetuosamente afrontados através de temas ateístas e anti-religiosos. Para mostrar o trabalho deste “novo” HEADHUNTER D.C. é lançada em 96 uma promo tape com 3 faixas, e assim como os seus trabalhos anteriores esta promo obtém grande receptividade na cena Death Metal, conseguindo excelentes resenhas em diversos ‘zines e revistas, dentro e fora do Brasil. Ainda em 96, o grupo participa do CD “Omnisciens”, um tributo à banda Dorsal Atlântica lançado pelo selo indie Rock Shop Records, de Fortaleza.

Após o tributo, o HEADHUNTER D.C. se reestrutura em mais uma formação, que possui além dos riffs memoráveis de Paulo Lisboa e a voz inquestionável de Sérgio Baloff, o baixo marcante de Alex Mendonça (ex-CARNIFIED), a guitarra ultra pesada de Fábio Nosferatus (ex-INFAMOUS) e a bateria devastadora de Thiago Nogueira (ex-SCRUPULOUS). Com esta line-up o HEADHUNTER D.C. finalmente grava, entre os meses de Agosto e Setembro de 1998, o seu tão longamente esperado terceiro álbum intitulado “...And The Sky Turns To Black... (the dark age has come)”, contendo sete hinos da mais pura, brutal, intensa e pesada (ainda técnica) arte deathmetálica jamais ouvida. Em Março de 2000 o CD – também disponível em versão picture disc – é lançado pelo selo Mutilation Records, de São Paulo, tendo a formação da banda sido novamente alterada logo após o seu lançamento com a saída do baixista Alex e a entrada de Paulo Alcântara (ex-BLACKNESS). O álbum obtém excelente receptividade perante a cena mundial, inclusive sendo citado por parte da mídia Underground internacional como um dos melhores lançamentos de Death Metal da América do Sul de todos os tempos, o que tem deixado seus membros bastante orgulhosos de todo o seu árduo trabalho. Com novo baixista, a banda é convidada a participar de mais quatro álbuns-tributo: aos deuses definitivos do Death Metal, POSSESSED, através do selo polonês Immortal Records (o qual só viria a ser lançado 5 anos mais tarde e sem a participação da banda); ao poderoso MORBID ANGEL, intitulado “Scream Forth Blasphemy”, via Dwell Records, dos EUA e às lendas do Thrash/Death Alemão dos anos 80 SODOM (jamais lançado por motivos desconhecidos) e KREATOR, intitulado “Under The Guillotine”, ambos também via Dwell.

O segundo semestre de 2000 marca o retorno do bassman Alex Mendonça, o qual viria a ser novamente substituído dois anos e meio mais tarde, dando continuidade a um aparentemente interminável ciclo de troca de formações dentro da banda.

No início de 2001 o HEADHUNTER D.C. assina com o selo Norte-Americano Mercenary Musik, e em Setembro do mesmo ano o álbum “...And The Sky...” é oficialmente lançado nos EUA com distribuição massiva em toda a América do Norte via World War III Records, contando com 2 faixas bônus, sendo elas covers de “Twisted Minds” dos mestres POSSESSED e “Morbid Visions” do SEPULTURA. Já no início de 2002 é lançado um live tape pela Eternal Fire Tape Series da França intitulado “Brazilian Deathkult Live Violence... 14 Years of Brutality!!!”, uma espécie de homenagem à banda pelos seus então quase 15 anos de estrada, limitado em apenas 100 cópias, o qual já se tornou um raríssimo collector’s item entre os fãs da banda mundo a fora.

O mês de Outubro de 2002 é especialmente marcado pelo tão aguardado relançamento do début “Born...Suffer...Die” em formato CD pela Cogumelo Records. O CD conta com a clássica demo “Hell is Here” e outras gravações raras (ao vivo e de estúdio) como bonus tracks, assim como fotos inéditas (apenas da era 90 / 92) em seu booklet. Trata-se de um marco para toda a história do verdadeiro Death Metal no Brasil, além de um grande presente para seus fãs e admiradores e para todos os reais defensores da verdadeira tradição do Brutal Death Metal Brasileiro.


No final de 2002 Alex e Thiago deixam a banda por motivos diferentes, e após vários meses de árdua busca por novos – e acima de tudo confiáveis – membros para completar o Culto da Morte, a banda finalmente encontra o baixista Zulbert Buery (ex-INOCULATION) e o baterista Daniel Brandão, que também toca em uma banda local chamada INSAINTFICATION. Com esta line-up a banda segue com sangrentos shows pelo país e testemunha, no final de 2005, o lançamento de outra reedição do álbum “...And The Sky Turns To Black...” via Dying Music contando com 5 bonus tracks exclusivos para o Brasil, porém após 2 anos e meio de estabilidade, a banda sofre mais uma baixa em sua formação, desta vez com o afastamento do baterista Daniel a poucos dias do início das gravações do novo álbum, que acontecem entre Janeiro e Fevereiro de 2006 no estúdio Casa das Máquinas, em salvador, Bahia. Felizmente, a banda conta com o precioso suporte de seu ex-baterista Thiago Nogueira, que gravou todas as sessões de bateria, além de também assinar a produção do mesmo.

Em Janeiro de 2007, contando com o suporte de Daniel Brandão na bateria e do guitarrista Igor Noblat, da banda local de Death Metal INHERIT, substituindo Fábio Nosferatus, a banda realiza sua primeira turnê sulamericana, a “Spreading The Death Cult… Tour 2007 (destruyendo Sudamerica)”, uma espécie de turnê de pré-lançamento do novo álbum, a qual atinge o Chile, Peru, Bolívia e mais seis cidades do Sul e Sudeste do Brasil, num total de 12 shows em exatamente 1 mês na estrada. Então, após mais de 7 anos sem oferecerem um álbum inédito ao universo do Metal Underground, eis que em Maio de 2007 é finalmente lançado perante as massas metálicas o seu quarto opus de brutalidade profana intitulado “God’s Spreading Cancer...”, com 11 faixas do que há de mais puro e verdadeiro na arte do Unholy Death Metal da antiga escola, entre elas títulos como “God is Dead”, “Stillborn Messiah”, “Inner Demons Rise!”, Long Live The Death Cult” e a faixa-título, além de um cover para “Angelkiller” de seus antigos companheiros de cena e banda-irmã THRASHMASSACRE. No âmbito musical, trata-se de um álbum com uma sonoridade ímpar, cheio de atmosferas profanas, peso abismal, riffs morbidamente memoráveis e aura densa, executado por um HEADHUNTER D.C. ainda mais comprometido com a real essência da música deathmetálica, enquanto que seus textos variam de genuínos ataques contra tudo o que é então-chamado “sagrado” – refletindo aí uma séria e inteligente consciência anticristã por parte da banda – à filosofia do caos, a arte da rebelião, o culto à morte e sua própria saga em prol das antigas raízes do Death Metal, musical e ideologicamente falando. Na América do Sul o lançamento fica a cargo da Dying Music do Brasil, enquanto que na Europa o álbum é lançado pelos selos alemães Obscure Domain Productions, responsável pela versão CD, e Evil Spell Records com a versão LP, sendo que esta última conta com uma versão para a clássica “Slaughtered Remains” do NECROVORE (antiga banda cult da cena Death/Black Metal americana) como bônus cover, limitada em 500 cópias numeradas a mão. No mesmo mês de Maio sai o não menos longamente aguardado split 10” EP com o SANCTIFIER intitulado “...In Deathmetallic Brotherhood” pelo selo francês Legion of Death Rekordz, mais um marco para a cena Death Metal nordestina, brasileira e sulamericana. Um novo giro pelo Brasil e shows em outros países da América do Sul para a promoção do novo álbum já estão sendo programados – na verdade a continuação da “Spreading The Death Cult...” – para assim a banda continuar espalhando o seu culto através de celebrações deathmetálicas ao vivo. Nada mais justo para comemorar os 20 anos de ininterruptas atividades desta banda no Underground, um verdadeiro monumento do Death Metal brasileiro que sempre caminhou contra modismos e tendências, erguendo alto a bandeira do verdadeiro Metal da Morte, do jeito que deve ser.

2012, um número aparentemente sem qualquer simbolismo especial, kármico, místico que seja, mas que quando encarado como o ano corrente logo nos faz lembrar da carga profética que o envolve, a da predição de que o mundo como este que conhecemos hoje encontrará o seu fim absoluto, segundo o calendário Maia. A sensação é a de que algo de abalar todas as estruturas, físicas, espirituais e transcendentais realmente se aproxima... e a passos rápidos.

2012 também marca o 25º aniversário da banda de Death Metal mais antiga em constante atividade do Norte/Nordeste brasileiro – e certamente uma das mais antigas do mundo com esse mesmo status –, pioneiros da música extrema na “terra sem salvação”, Headhunter Death Cult. E se é de “abalo de estruturas” que estam

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Se gostou da postagem, tem reclamação ou alguma sugestão. Comente!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...