20 de maio de 2012

Metal Open Air: 1 mês depois...



Hoje faz um mês daquele que deveria ser o maior festival de Heavy Metal do Brasil. O MOA atraiu milhares de headbangers de todas as partes do Brasil, de várias partes da América e de algumas outras do mundo.

O festival foi anunciado em Novembro de 2011, cinco meses antes de acontecer e desde então virou notícia em todo o Brasil. Com o passar dos meses o cast foi aumentando atingindo 47 bandas que tocariam nos três dias de evento, mas não foi bem assim.

Chegando o tão esperado dia 20 de Abril de 2012, uma data que poderia revolucionar a forma de se fazer shows de Metal no Brasil, e a forma que a mídia olharia para o gênero também, o que se viu foi desorganização. Inicialmente era muito complicado saber onde exatamente entrar no parque independência mesmo estando na frente dele. A falta de informação era grande por quem trabalhava por lá. Depois da descoberta da entrada do evento se pode ver uma fila gigantesca para a troca de ingresso. Bangers de todo os lugares possíveis estavam lá e os sotaques diversificados eram nítidos ao percorrer a fila. No início dela trabalhadores representando a Ticket Brasil faziam a troca. O tempo médio na manhã do primeiro dia de espera era de 1h para entrar no Metal Open Air.

Entrando no festival era incrível ver como a falta de organização básica era evidente. Trabalhadores ainda capinavam o parque. Outros ainda montavam estruturas do que deveriam ser lanchonetes, etc (que nunca existiram). Fazendo uma breve procura por tudo que a produção prometeu não era visto o tal lago artificial, as lanchonetes (incluindo a Mad Butcher), Paint Ball, etc. As primeiras bandas que deveriam se apresentar eram as brasileiras Headhunter DC, Terra Prima, Dark Avenger e Hangar, mas aos poucos eram informados pela internet, somente pela internet que as bandas estavam desistindo de tocar no festival por falta de pagamento de cachê e por não recebimento das passagens aéreas, a produção em nenhum momento chegou ao microfone para informar o ocorrido, assim  o primeiro show começou apenas às 15h, quando o marcado era 10:30, com o Exciter do Canadá, talvez juntamente com o Anvil as duas bandas mais clássicas a tocar e difíceis de rever por essas terras. O público estava super animado com o enfim começo do evento. Mesmo com o atraso ninguém parecia está desmotivado. A estrutura dos palcos eram enormes, mas os últimos detalhes deles ficaram de lado, como o martelo que ficaria entre os dois e os nomes Ronnie James Dio e Cliff Burton em cima deles, mas ninguém estava ligando muito para isso e queriam ver as bandas prometidas. Desta forma, a Sexta teve todas as bandas prometidas, tirando as nacionais que tocariam no início. O público foi contemplado com Exciter, Orphaned Land, Almah, Shaman, Anvil, Destruction, Exodus, Symphony X e Megadeth. Exciter voltando ao Brasil depois de show no país em 2011 e da turnê que fez no final dos anos 80 com o Venom, apresentação exclusiva no Brasil em 2012. Orphaned Land, primeira vez no continente, apresentação exclusiva nas américas. Anvil que tocou apenas pela segunda vez no País, em apresentação exclusiva na América Latina. Destruction em apresentação exclusiva no Brasil em 2012. Symphony X em apresentação exclusiva no Brasil em 2012. Megadeth apresentação exclusiva na América Latina. Em relação aos shows que foram vistos na Sexta o públcio apesar de querer muito ver os três shows cancelados do dia no palco principal, saiu extremamente satisfeito e morrendo de cansaço de ver nove grandes bandas praticamente sem intervalos entre uma e outra.


Falando no público, não tinha apenas maranhenses por lá, havia headbangers do Rio de Janeiro, Amazonas, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Paraná, Mato Grosso, Ditistro Federral, Ceará, Piauí, Paraíba, São Paulo, Minas Gerais, Colômbia, Argentina, Venezuela e até irã, apenas lembrando de alguns locais.

Ao final do primeiro dia o questionamento sobre o horário de começo das apresentações no segundo dia era grande, mas sem respostas. No sábado, os shows que deveriam começar às 11:15 apenas começaram às 18h e com uma banda que deveria tocar na boate El Diablo, Ácido, logo após veio o Dark Avenger que deveria ter tocado na sexta, daí veio os holandeses do Legion of the Damned com apresentação única nas Américas, e ninguém sabia, mas veio o último show da noite e também do festival, Korzus subiu ao palco com uma apresentação que durou mais de 2h e que para muitos foi a melhor de todo o festival. O melhor pela energia da banda no palco e pelas palavras dos integrantes sobre tudo que estava acontecendo ali. Num momento Pompeu, vocalista da banda, disse que a definição que ele conhecia de Headbanger era a daquele público presente, e certamente isso emocionou todos que estavam lá, fez com que mesmo com todo o desrespeito sofrido, no final ainda dava pra ter orgulho de ter lutado pelo o Metal. O público fez sua parte e foi o melhor espetáculo de todo o festival, a irmandade que podia ser vista no MOA, sem brigas, sem confusões (como a mídia estava esperando), esse foi o grande show em São Luís. No final do segundo dia após a apresentação do Korzus ninguém sabia se UDO e Grave Digger ainda tocariam, e ainda esperaram mais um pouco, mas depois de perceber a desmontagem da estrutura do palco foram embora desolados. Na frente do festival um vendendor de cerveja disse “vocês são muito calmos, se fosse show de pagode já estaria tudo quebrado”. A frase poderia ser um breve resumo de tudo que estava acontecendo no MOA.

Tem coisas que foram vistas, sentimentos que foram sentidos que nenhuma palavra pode descrever, apenas quem estava lá pôde ver e sentir.

Acampamento improvisado no aeroporto


No final das contas as bandas internacionais de sábado, menos Rock n’ Roll All Stars que já estava cancelada, Anthrax, Blind Guardian, UDO, Grave Digger e Glenn Hughes estavam espalhados por hotéis da cidade e não quiseram se apresentar, diferente do Legion of the damned que fez questão de estar no palco. Algumas bandas de domingo como o Obituary e Torture Squad estavam na cidade, mas não tiveram nem a estrutura para tocar no que deveria ser o último dia do evento, então não se sabe se como as bandas de sábado iriam desrespeitar o público e não subir ao palco mesmo com os cachês já pagos e presentes na cidade ou tocariam mesmo com tudo contra, quebrando alguns artigos de contrato até, como as bandas da sexta e sábado que se apresentaram.

Condolências as bandas Headhunter DC, Hangar, Obskure, Stress, Terra Prima, Drowned, Expose Your Hate, Unearthly, Semblant, André Matos, Attomica, Motorocker, OTEP, Torture Squad, Obituary, Ratos de Porão, Dio Disciples, Fear Factory, Annihilator, Saxon e Venom que não tiveram ou as passagens mandadas para estar na cidade ou estavam na cidade e no domingo não tiveram palco para se apresentar.

Estrutura da praça de alimentação não finalizada
Lamparina Produções, Negri Concerts e CK Concerts, as três empresas que roubaram bangers de todo o Brasil, mas não só financeiramente, como disse o banger Victor Hugo de Minas Gerais quando entrevistado pelo o jornal Imparcial de São Luís, dois dias após cancelamento do evento “Estou me sentindo lesado. Mais do que o dinheiro, a minha alegria foi roubada”. Então se você ama o Metal faça um favor à cena nacional e boicote qualquer show destas três empresas.

Desde o domingo (22/04) na frente do aeroporto dezenas de pessoas acampavam esperando seus voos que só aconteceriam dias depois, pois no parque independência a organização retirou toda a segurança os deixando a mercê de ladrões que podiam entrar facilmente no local. Aos bangers só restou conhecer São Luís. Era engraçado passear no centro histórico ou pelas praias e encontrar dezenas e dezenas de camisas pretas nas mais variadas partes da cidade. Parecia que tinha um show em cada bairro da capital maranhense.

Contudo, a torcida é grande para que um dia uma produtora de respeito faça um festival nos mesmos parâmetros do Metal Open Air. O Brasil como uma das maiores cenas do mundo precisa de um evento deste porte, e que seja feito com o coração e não com o bolso na próxima vez.

No final das contas quem estava presente pode ver shows históricos, que talvez o Brasil nunca mais veja, mas também viu a maior falta de organização da história do Metal nacional, talvez, mundial. Metal Open Air pode ser resumido perfeitamente em uma frase “O melhor e pior festival da história do Brasil. Melhor pelas bandas que se apresentaram, pior pela produção que organizou”.







Veja Alguns vídeos de apresentações:








Um comentário:

Anônimo disse...

ainda bem que eu não tinha dinheiro pra ir.

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