22 de agosto de 2011

Entrevista: Belphegor


Os austriacos do Belphegor virão pela primeira vez ao Nordeste para tocar em Recife e Fortaleza. Será uma turnê para promover o mais novo álbum da banda "Blood Magick Necromance". Sucesso mundial com seu Black/Death a dupla Helmuth e Serpenth, acompanhados de outros músicos, acabaram de fazer grandes turnês na América central e na Europa e agora é a vez da América do Sul, Com shows no Brasil, Venezuela e Colômbia.

Falando sobre estes shows, novo CD, carreira e assuntos polêmicos como queimar igrejas e atentados na Noruega, Helmuth, Vocal e Guitarrista do Belphegor, concedeu essa entrevista ao Blog Renatown!

Confira a seguir:

(Tradução por Renato Batista e Leandro Nunes)

Renato Batista - É um grande prazer conversar com você, e Começo falando sobre o novo álbum. No novo CD “Blood Magick Necromance” a banda utilizou elementos novos em suas músicas, tais como Orquestra, coro, violino... Também, Na faixa “In Blood - Devour This Sanctity” a banda foi inspirada pelo clássico compositor Johannes Brahms. O som mais clássico a partir de agora será algo sempre incorporado aos trabalhos do Belphegor?

Helmuth - Você pode encontrar influências clássicas em nossa música desde o lendário LP "Necrodaemon Terrorsathan" de 2000, mas nesse novo álbum nós superamos nossas experiências passadas com o gênero. A melodia do refrão de “In Blood - Devour This Sanctity” é inspirada do clássico compositor, Johannes Brahms "Hungarian Dance" # 1 (1833 - 1897). Tudo é mais épico, majestoso sabe, e este foi o principal plano quando começamos a criar as 8 composições.

“Blood Magick Necromance” soa exatamente como queríamos. Eu estou mais do que orgulhoso deste LP. Muito suor, sangue, o fluxo de energia entre as oito faixas, as letras e a capa, a arte da foto.


Renato Batista - Para quem ainda não ouviu, Defina o “Blood Magick Necromance”.  8 faixas de...

Helmuth - Intenso caos musical, repleto de magia, excelente e monumental. 

Sabemos exatamente o que queremos, sabe. Eu diria que toda a equipe que trabalhou neste álbum/projeto realmente desafiaram a si mesmos. É tudo como uma cadeia, criar alguma coisa nova, sempre pressionando a nós mesmos.

O título diz tudo, o conteúdo lírico lida com tudo que é “Anti-Deus/Anti-vida”, sabe, cheio de sangue e morte. Também o forte sentimento anticristão é muito importante no Belphegor. Quero dizer somos autênticos, quase ficando hermeticamente contra tudo, misantrópico com tedências ao nilismo.

Os versos e trabalho de arte são muito importantes, isso tudo tem que ser forte e extremo, para dar ao som um poder extra, mas no final a música impera sobre tudo, e continuará a ser, eternamente.


Renato Batista - Como o público e mídia receberam o novo CD? Como estão os comentários?

Helmuth - Incrível, nós tivemos muita atenção, também os comentários nos meios de comunicação/ revistas foram excelentes. Mas no final não é tão importante para mim, as pessoas que apoiam o Belphegor e compram nosso merchan, LPs, eles são os únicos que estou interessado.

É por isso que ensaiamos pra cacete, para reforçar e melhorar como banda, eles só merecem o melhor, no formato LP, e também numa brutal apresentação ao vivo.


Renato Batista - Antigas gravadoras da banda tentavam controlar as letras dos CDs para que não houvesse futuros problemas pelo motivo das letras serem ofensivas a igreja etc. Atualmente com a Nuclear Blast a banda ainda sofre com esse tipo de falta de liberdade?

Helmuth - Censura foda. Eu desprezo essa devassa instituição nazarena. É merda pra mim. Eles só tentam ter as ovelhas da horda sob controle.

“Não faça isso”, “não faça aquilo”... Esmaguem-nos!


Renato Batista - Belphegor é uma banda que não se apega a um idioma em suas composições. Às vezes cantando em inglês e Alemão, outras até no arcaico latim. Sei que o Latim é para “ferir” a igreja. Alemão por ser a língua local. O Inglês é para atingir todo o resto do mundo?

Helmuth - Sim, usamos além do alemão, o latim e o inglês naturalmente. Nós usamos nossa língua mãe pela primeira vez no EP 7 polegadas "Obscure and Deep" em 1994.

Cada verso é ligado, cada língua tem sua própria atmosfera, tenacidade em sua pronúncia. Essa é a principal razão pela qual temos vindo a misturá-las o tempo todo. Soa único, uma marca do Belphegor, sabe.

Além disso, você não consegue traduzir alguns dos versos antigos, magia, cânticos que nós usamos, porque o sentido seria apagado ou as palavras não existem mais.


Renato Batista - Em uma entrevista vocês se consideraram ateus e não satânicos. Então o satanismo exposto nas músicas é uma forma simbólica para se contrapor à cultura religiosa?

Helmuth - Sim. Sem oração, sem engatinhar ou ajoelhando-se, nunca fizemos. Jamais!


Renato Batista - No Black Metal (principalmente na Europa) não é estranho ver atos contra o cristianismo, como queimar igreja. Qual sua opinião sobre essa atitude?

Helmuth - Há igrejas suficiente à volta.  Aqui na Áustria você encontra em cada pequena aldeia quase 2 ou 3 igrejas, não é uma perda grande se alguma se queimar ou forem saqueadas, pelo contrário...


Renato Batista - O CD “Lucifer Incestus” (2003) tem uma grande fama aqui no Brasil. Vocês acreditam que seja o registro de maior sucesso da banda?

Helmuth - Todos os LPs do Belphegor têm seus fortes momentos, enquanto as pessoas estiverem dentro deles, Isso é bom para mim.

Lucifer Incestus é provavelmente nosso álbum mais explosivo, um dos dez mais rápidos CDs do planeta. haharrrrr.


Renato Batista - Belphegor possui 2 integrantes, certo? Quem acompanhará a banda no palco na turnê? Continuam Bernth e Marthyn?

Helmuth - Sim, nós somos um pedaço de dois desde o final de 2007, desde que meu amigo de longo tempo Mr. Sigurd deixou a banda. Dediquei a ele uma música do novo álbum, chamada “Possessed Burning Eyes”.

É bom como ele é, Quero dizer que podemos trabalhar com mais rapidez.  Eu não estou nessa merda democrática você sabe, você precisa de uma grande quantidade de energia, paixão, etc. Para liderar uma banda como o Belphegor.

De qualquer forma, Eu sou grato que tive tantos grandes músicos na banda, Também trabalhei com várias pessoas que fizeram letras para faixas, ou mesmo com os trabalhos de arte. É tudo sobre a qualidade e arte em geral.

Lineu up para turnê sulamericana:

Helmuth – Grunhidos hereges, Serra elétrica. Serpenth – Baixo devastation e back Vocal. Bernth: Guitarra. Tiger: Bateria.

Serpenth e eu representamos o Belphegor. Voltamos com o Line up mais forte e que nunca visitou a América Latina.


Renato Batista - O Belphegor é uma banda que faz shows por todo o mundo. Atualmente fizeram turnê na América do Norte e na Europa e agora virão para a América do Sul. Pelos lugares onde vocês tocam como pode ser definida a cena do Metal extremo? Na Áustria pode ser considerada boa?

Helmuth - Não importa onde tocamos sabe. Enquanto as pessoas estão curtindo é perfeito. E nos damos energia extra e tocamos nossas faixas no meio da multidão  com agressão extrema e caos...


Renato Batista -
Mais uma turnê pelo Brasil está por vir. O que a banda espera dessa mais nova vinda a América Latina?

Helmuth - Já era hora, é um verdadeiro prazer ser convidado novamente para a América do Sul por Sr.Eduardo/Tumba e Sr. Nelson/ Sylphorium. E agora é a quarta vez que vamos ao seu magnífico país.

Essa invasão é especial, faremos 8 shows no Brasil (ao invés de 4 ou 5), o que é incrível, estou realmente ansioso para voltar, também detonar nas cidades que ainda nunca tivemos possibilidade de tocar. Faremos também Venezuela e três shows na Colômbia novamente. No total são 12 shows. O núcleo está pronto para detonar.


Renato Batista - O Setlist vai ter mais músicas clássicas ou as novas do “Blood Magick Necromance”?  Músicas de Que CDs poderão estar presentes nos shows?

Helmuth - Sim. As faixas do álbum novo têm prioridade, fazemos a faixa-título “Blood Magick Necromance”, “Rise to Fall and Fall to Rise”, “In Blood - Devour This Sanctity”, “Angeli Mortis De profundis” etc, naturalmente faixas mais antigas, como “Lucifer Incestus”, “Belphegor - Hells Ambassador”, “Justine - Soaked In Blood”, “Veneratio Diaboli - I Am Sin” para mencionar algumas.


Renato Batista - A Noruega sofreu com atentados recentemente.  Partindo de princípios políticos, mas também com cunho religioso, levando em consideração que Anders Behring Breivik é um fundamentalista cristão. São mais mortes em nome de deuses? A banda tem alguma opinião sobre o assunto para compartilhar?

Helmuth - Nenhum comentário.


Renato Batista - O Belphegor vem de cerca de 80 shows por diversos países.  Depois dessas grandes turnês a banda vai se dedicar a algum novo trabalho ou descanso? Quais os planos para o futuro?

Helmuth - Sim, temos um monte de planos, estamos firmemente reservados até Maio de 2012, sem descanço cara...  Ainda estamos motivados, cheios de paixão negra, e prontos pra marchar em todo o mundo. Ao vivo nós somos um das bandas mais extremas atualmente.


Renato Batista - Obrigado pela entrevista, grande honra, e deixe uma mensagem para os fãs brasileiros, em especial para a cidade de Recife e todo Nordeste brasileiro que está no aguardo dos shows.

Helmuth - Confira nosso novo monólito, “Blood Magick Necromance”. Um salve a todos os demônios, espero ver todos vocês na estrada para o inferno... Quando voltarmos e trazermos o caos. É uma honra, esse horror! www.belphegor.at.

Autoria: Renato Batista

BELPHEGOR "BLOOD MAGICK NECROMANCE" WORLD TOUR PT.IV SOUTH AMERICA



02.09.2011
BR
Belém African Bar
03.09.2011
BR
Fortaleza Clube Santa Cruz
04.09.2011
BR
Recife Burburinho Bar
06.09.2011
BR
Curitiba Hangar Bar
07.09.2011
BR
Porto Alegre Bar Opinião
09.09.2011
BR
Rio de Janeiro Esporte Club Mackenzie
10.09.2011
BR
Belo Horizonte Music Hall + Morbid Angel
11.09.2011
BR
São Paulo Carioca Clube + Morbid Angel
15.09.2011
VE
Caracas Núcleo Endógeno Nuevo Circo + Blind Guardian
16.09.2011
CO
Duitama - Boyaca Lemmy´s Metalfest
17.09.2011
CO
Medellín Teatro Alianza Francesa
18.09.2011
CO
Bogotá Teatro La Mama


12 comentários:

Danielle. disse...

Muito boa a entrevista! Parabéns!

Nanda Lira disse...

Ficou foooda! Mais uma entrevista boa pra coleção neh
Parabéns!!!

Anônimo disse...

Aê, Renato. Ótima a entrevista, man. Apenas chamo a atenção com relação a tradução, um pouco mais de dedicação seria legal, principalmente se tu põe Leandro pra trabalhar, hahaha.
Sobre a aparente "omissão" do Sr. Helmuth, acredito que tenha sido apenas uma postura (a)política da parte dele. Mas te vi comentar que algumas perguntas foram ignoradas por ele, me pergunto quais seriam...
Parabéns pelo blog. O processo de gravação do BC tá em andamento, em breve te mandamos notícias e uma prévia do material pra você sacar. Há braços!

T. Satyrizer. (Beast Conjurator)

Leandro Anunnaki disse...

Parabéns Renatown! A unica coisa que você está nos devendo agora é formar uma banda cara. hehe
abraço!

Leandro Anunnaki disse...

Uma pena que não tive muito tempo para me dedicar nas contribuições para Renato...O asatru-odinista do Thiagus ta certo mesmo! Porra, bem que esses hellbangers poderiam ser menos "coloquiais" na escrita neh! Traduzir textos acadêmicos é bem mais fácil! hehehe. Mas felizmente isso não comprometeu o seu trabalho, Renatown 666. "Rêiu!"

Renato Batista disse...

A tradução não está 100%, mas entende-se 100% do que Helmuth quis falar. Leandro vc está certissimo, pense nums caras pra escrever coloquialmente o inglês, o esforço pra entender foi dobrado pois não era o inglês formal que aprendemos nas escolas e sim o falado que só sabe quem morou fora do Brasil.

A pergunta exluída em questão Tiago foi "A banda já teve problemas com a igreja. Coisas como protesto em frente a shows. Isso já era normal na Áustria desde o início da banda ou começou apenas depois da fama mundial do Belphegor?" nada demias na questão nao é?

Renato Batista disse...

Sem contar as gírias, abreviaturas...

Fabio "Riquinho" disse...

Aê Renatown,majestosa entrevista.Bom saber que tenho um amigo com tal capacidade.Principalmente por ter sido feita com a "Maldade" em forma de horda(Belphegor). Parabéns parceiro! Fukk the Blood of Christ...

Dan disse...

bacana , parabens pelos posts, acesse o nosso projeto e faça parte da radio hell que abrange 84 paises atravez da banda larga.

Ficaria muito grato pela visita e a troca de banners, esta de parabens, otimas materias!

www.dantec.hd1.com.br/projetoradiohell.html

Diogo Didier disse...

Renato meu querido, mesmo não entendendo NADA do gênero musical, não pude conter a minha admiração por vc, no que diz respeito ao desenrolar da entrevista...Vc conseguiu extrair muito bem as sutilezas necessárias para deixar o leitor, sobretudo aquele que interage com a sua temática,conectado com cada pergunta feita...PARABÉNS por isso! vc será um grande concorrente meu no vestibular rsrsrsrs...abraços!

Renato Batista disse...

Muito obrigado Diogo :) um grande abraço!

Anônimo disse...

cara!muito boa a entrevista!sou fã dessa banda!!!!!!

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