26 de abril de 2011

Entrevista: Terra Prima


O Terra Prima é um destaque no Power/Progressivo nacional, sendo mencionado pela melhor revista de Heavy Metal do Brasil, Roadie Crew, pelo seu CD de estreia "And life begins" e  sendo considerada uma das três maiores revelações de 2010, também tendo o seu tecladista dentre os dez melhores no Brasil. A banda acaba de tocar com o Iron Maiden em Recife, além de planejar turnê no velho continente.

Abaixo uma entrevista com o grande vocalista da banda Daniel Pinho, onde ele fala sobre o CD, convidados da banda nesse trabalho, abertura para o Iron Maiden e possível turnês.


Renato Batista - Para começar, o CD “And Life Begins” está sendo vendido no Japão, um dos países que mais consome Power metal. Em algumas imagens pode ser visto o CD ao lado de trabalhos de bandas como Rhapsody e Stratovarius. O que isso significa para a banda e como está a venda não só por lá, mas também por aqui?

Daniel Pinho – Muita gente me falava que vender 1000 discos era uma coisa muito difícil para quem está começando. Acho que já superamos essa marca. E isso com pouca divulgação. Nesse segundo ano do And Life Begins pode esperar que ele estará estampado em todos os sites, revistas, zines etc. O fato de estarmos nos pontos de venda ao lado de bandas como Stratovarius e Rhapsody indica que o pessoal da Radtone Music, gravadora do Japão, está apostando alto no nosso trabalho e isso nos deixa muito felizes e confiantes de que fizemos um belo trabalho no disco.


Renato Batista - Para quem ainda não ouviu o CD, que faixa indica para os bangers curtirem a banda?

Daniel Pinho – Acho que esse é um disco com algumas linguagens variadas e isso depende do banger. A prova disso é que muitas pessoas se dividem ao escolher a melhor música. Se ele for da praia do Melódico eu diria pra ouvir Time to Fly ou Life Carries On. Se ele é mais tradicional ou gosta de umas coisas mais pesadas sugeriria Rage. Se é um cara adepto de baladas, obviamente Step by Step. Para todos os outros casos não citados e se ele não souber se enquadrar eu diria Await the Story's End ou Essence, que são músicas com bastante melodia, peso e belos refrões.


Renato Batista - Falando das participações no CD. O que você acha que o público pensa de ter uma participação de um músico distante do metal como Gilmar bolla 8 (Nação Zumbi)? E como foi o contato com Andria Busic (DR. Sin) e Rafael Bittencourt (Angra)?

Daniel Pinho – Acho que essa relação começa quando nos propusemos a fazer um som que nem sempre está explorando o metal diretamente, que são os outros ritmos. Então, o que eu vejo aí é um bando de gente colocando metal com ritmos, normalmente estudam, vêem fórmulas de batida, escala, harmonia e na real fica uma coisa forçada, feita sem musicalidade. Se é para fazermos algo que está além dos nossos conhecimentos, por que não convidar alguém que realmente saiba? E foi o caso. Nós, pernambucanos, conhecemos maracatu, mas ninguém tocaria alfaia numa banda de rock tão bem quanto alguém que fizesse parte do Nação Zumbi, que é uma das pioneiras do mangue beat, que é um ritmo muito baseado em rock e maracatu. Quanto a Rafael Bittencourt eu já havia participado do Workshop dele em Recife e fui meio na cara de pau, chamá-lo num dia que teve o show do Bittencourt Project no Blackmore. Depois efetuamos alguns contatos telefônicos, por e-mail e rolou que foi uma beleza. Quanto a Andria Busic, foi uma ideia de Marcello Pompeu e deu super certo, porque ele encaixou perfeitamente em New Dawn.


Renato Batista - Marcello Pompeu e Heros Trench (KORZUS) produziram “And Life Begins”. Qual percentual a banda daria a eles para o resultado que foi obtido no CD?

Daniel Pinho – Seria difícil calcular. Nós demos trabalho a eles hehehe. Éramos inexperientes nessa parte de estúdio, gravação, mix, master, mas chegamos com o material do disco quase pronto. Eles mexeram e melhoraram bastante, rearranjando partes e nos guiando em como conseguir soar como queríamos. Prefiro dizer que o And Life Begins só foi possível porque levamos um material bem interessante, mas só conseguimos chegar no resultado por conta deles . Na real foi 125% de cada parte!


Renato Batista - O tecladista da banda, João Nogueira, está sendo bastante reconhecido nos EUA na Berklee College of Music (onde estudou Steve Vai). Como está sendo para a banda conciliar os estudos dele nos EUA com os shows por aqui?

Daniel Pinho – Normalmente ele não está nos shows. Sobra pra eu ter que fazer alguns teclados ou pros guitarristas Diego Veras e Otávio Mazer executarem os solos. Faz uma falta tremenda, mas o show tem que continuar. Na abertura do Iron Maiden ele estava conosco. Esperaramos que esteja mais presente em outras tocadas, porque ele é um músico incrível e todos crescemos com a presença dele.


Renato Batista - A banda recebeu alguns destaques da revista Roadie Crew, como: 3º melhor revelação, e 10ª melhor banda nacional de 2010. Como vocês receberam esses elogios, vindo de umas melhores revistas do gênero No Brasil?

Daniel Pinho – Isso é a consagração de um grande trabalho. Ficamos abaixo apenas de grandes bandas, já conhecidas do público em geral. Para nos deixar ainda mais felizes, esse é o primeiro ano de vida de verdade, já que só agora o Brasil e o mundo começa a ouvir falar da gente através do nosso disco.


Renato Batista - Agora falando da abertura para o Iron Maiden. Mesmo sendo um curto show de 30min, essa pode ser considerada a apresentação mais marcante da banda?

Daniel Pinho – Até então sim. O maior público que já tocamos. E um público carinhoso. Além desse, acredito que só o Sunrock Festival 2010 em João Pessoa e o Abril pro Rock 2006 em Recife foram momentos equiparáveis em relação a um público caloroso e presente durante toda apresentação. Melhor que esses shows, imagino apenas que seja tocar no Rock in Rio ou nos super festivais da Europa!


Renato Batista - Mesmo com o público enlouquecido esperando pelos britânicos, eles curtiram bem o show do Terra Prima?

Daniel Pinho – Sim... como respondi acima, o público estava ali para ver boa música e parece que eles apreciaram nosso trabalho. Deram muita força, gritaram, pularam etc. Rolou até o clássico “Olê Olê Olê Olá, Terra Prima!”. Foi um momento incrível.


Renato Batista - A banda chegou a ter algum contato com alguém do Iron Maiden? Mesmo com o nervosismo de subir no palco, sobrou espaço para tietagem?

Daniel Pinho – hahaha Não foi o caso e nem estávamos ali para isso. A gente tava mais focado em tocar bem para o público que esperava “somente” a melhor banda de metal do mundo. Fomos lá para convencer mais de 10 mil pessoas de que tínhamos um belo material nas mãos e acho que conseguimos! A gente ainda entregou um disco na mão de Bruce Dickinson e do produtor de estrada da banda, Bill, mas nossos contatos não passaram disso.


Renato Batista - No último ano a banda tocou no Sun Rock Festival, realizado em João Pessoa. Festival que contou com a banda Scorpions, e na mesma noite que o Terra Prima tocou, também tocaram Sepultura e Angra. O público de fora vem recebendo bem a banda?

Daniel Pinho – O Sunrock Festival foi um dos momentos mais especiais que tivemos até então. O público foi louco, vendemos bastante lá e até hoje o pessoal em João Pessoa pede para voltarmos. O pessoal de lá adora metal e as pessoas deviam voltar mais atenções pra lá, pois é um lugar que depende de shows maiores. Esperamos voltar em breve!


Renato Batista - A mistura que a banda faz em suas músicas vai do Power metal ao baião e maracatu. O porquê do desejo de adotar essa mescla? Algo relacionado ao Angra, banda do amigo de vocês Rafael, que faz uma mistura parecida desde os anos 90?

Daniel Pinho – Na realidade não começou ouvindo o Angra. Lógico que hoje em dia essa associação é inevitável, mas no começo isso surgiu como uma brincadeira no ensaio. A gente achou que aquilo poderia resultar em algo melhor e começamos a fazer, até que alguém chegou e disse: “Holy Land”. Aí percebemos que outras pessoas faziam isso também. Só que acho a forma como a gente faz mais uma necessidade de usufruir da musicalidade que o mundo possui do que simplesmente parecer diferente. O nome da gente remete diretamente a isso. Nunca tive esse sonho de ser o mais original do mundo... quero apenas continuar a fazer músicas boas e escrever coisas que toquem de verdade o coração das pessoas.


Renato Batista - O Cover que a banda anda fazendo nos shows (inclusive na abertura para o Iron Maiden) “Enter Sandman” do Metallica anda animando bastante o público, mas você não acha que Metallica foge da proposta musical da banda? Talvez algo como stratovarius, seria mais adequado para a banda tocar?

Daniel Pinho – Acho que se o povo quiser que toquemos algo que seja parecido com a gente teremos que colocar banquinhos à venda nos nossos shows. Já tocamos The Final Countdown, Kiss, AC/DC e agora estamos executando Metallica. Procuraremos sempre coisas diferentes, mas que ao mesmo tempo sejam grandes músicas. O público gosta do inesperado, de sair do show dizendo: Poxa aqueles caras tocaram aquilo! Lógico que se houver um pedido em massa nas nossas comunidades faremos um esforço para atender, mas por enquanto queremos sempre mostrar que somos capazes de voos cada vez mais altos.


Renato Batista - A banda está planejando em Novembro deste ano, fazer uma turnê na Europa.  Tem algo para nos adiantar? Quais são os países em vista? Alguma banda pode acompanhá-los?

Daniel Pinho – Pretendemos visitar o maior número de lugares possíveis, principalmente Alemanha, França, Itália, Holanda. Mas nada certo ainda. Seria bom que alguma banda nos acompanhasse, mas acho que por enquanto não temos nenhuma posição oficial sobre isso.


Renato Batista - Além da turnê na Europa, tem alguma turnê planejada para cobrir o Brasil?

Daniel Pinho – Planejada mesmo não. Mas colocamos isso como meta para esse ano. Queremos cobrir o maior número de lugares possíveis. E já estamos entrando em contato, principalmente aqui no Nordeste. Queremos tocar em quantos festivais forem possíveis e que tenham o público que curte nosso som.


Renato Batista - Deixo o espaço disponível para a banda falar diretamente aos fãs!

Daniel Pinho – Primeiro gostaríamos de agradecer ao Renatown pelo espaço. E aos Terráqueos e não terráqueos de todo o país, o de sempre: dêem valor às coisas novas, pois elas representam o presente e o futuro próximo da música. Quanto a nós, vocês podem esperar o máximo de dedicação possível. A Terra é o palco, o Céu o limite, e nas asas dos sonhos atingiremos todas as alturas. Contamos com vocês nessa jornada, porque sem vocês, nosso trabalho não serve de nada. Participando em nossas comunidades e páginas na internet vocês nos dão energia para voos ainda mais altos. Um grande abraço a todos!

Autoria: Renato Batista

Um comentário:

Anônimo disse...

ótimas perguntas,muito boa a entrevista

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