16 de dezembro de 2010

Entrevista: Comando Etílico


O Comando Etílico nasceu em Natal/RN com os irmãos Praxedes no ano de 2003. Com uma proposta oitentista lembrando bandas nacionais como Salário Mínimo e Harppia, A banda têm vários admiradores por todo o Nordeste e com certeza em todo o Brasil. o Comando é uma das poucas bandas hoje em dia que ainda faz o fogo da nostalgia dos anos 80 queimar em nossos ouvidos.


A seguir leiam uma conversa que tive com o Vocalista da banda Hervall Padilha. 


Renato Batista - Primeiramente, é um grande prazer conversar com essa grande banda! E começo falando que, Poucas pessoas sabem que boa parte das influências da banda são bandas de Thrash Metal, e que cantam em inglês, e não só as bandas nacionais de Heavy como se pensa, então por que adotaram o português?

Hervall Padilha – Olá, Renato! Obrigado pelas palavras e quero antes de tudo agradecer pelo espaço cedido para este bate-papo. Como você mesmo disse “boa parte”, mas não tudo (risos). O que na verdade acontece com Comando Etílico é um misto de influências que vão de bandas dos anos 70 de bandas como Uriah Heep aos 80 da época de ouro do Metal mundial de bandas como Slayer. Neste intervalo musical se encontram bandas e estilos distintos e por que não, o Thrash Metal? Porém costumo falar que nem tudo que você ouve é sua influência. Temos muito cuidado em dar ao Comando Etílico uma identidade. Não falo de ser original dentro de algo jamais feito. Não! Isso não existe! Mas Originais dentro de um seguimento. Quanto a língua pátria, escolhemos cantar nela por pura opção. Não há nada relacionado a patriotismo ou nacionalismo em nossa escolha!


Renato Batista - 2011 tem novo EP. Ele será independente como o “Metal e Prazer” ou será lançado pela Records como o “Comando Etílico”?

Hervall Padilha – Até então este EP é um projeto independente. Ainda não apresentamos o mesmo para a Dio Records, mas o faremos! Estamos na Pré-produção e serão cinco canções que seguem exatamente a mesma linha de nossos registros anteriores. Heavy Metal, alto, cru e sem burocracias. É o que gostamos e sabemos fazer (risos).


Renato Batista - Primeiro o “Metal e Prazer” (2007) depois o “Comando Etílico” (2009) agora no ano que vai chegar, em 2011 um no EP. O que você pode nos falar sobre o novo material? Já tem nome? Previsão?

Hervall Padilha – Sem data específica! Mas queremos muito lançá-lo em 2011. Ainda não temos um título, mas dentre as canções estão “Atlântida”, “Legado” e “Maldição”. Nestas canções passeiam mitos místicos, lendas metálicas urbanas e até mesmo mitológicas. Até então é tudo que posso adiantar sobre este EP.


Renato Batista - As músicas do EP “Metal e Prazer” correm algum risco de regravação para um futuro álbum ou até mesmo apenas para buscar uma gravação na altura do CD. Já que quando o EP foi gravado a banda não tinha toda a parafernália usada em estúdio hoje em dia, buscando maior perfeição na hora da gravação.

Hervall Padilha – Não queremos “Metal e Prazer” com outra roupagem! Entendemos que aquele registro data uma época de nossa careira e assim permanecerá. Quanto a regravar alguma das canções, sim, isso é perfeitamente possível de acontecer no futuro. Pensamos nisso algumas vezes e jamais descartaremos tal ideia.


Renato Batista – Agora Falando do Debut Álbum da banda. Como está a procura pelo CD em Natal? E Quando a banda toca fora à procura é grande pelos fãs?

Hervall Padilha – Dentro de nossa realidade estamos vendendo bem e isso vem de todas as regiões do Brasil. Natal tem nos apoiado desde sempre, os Bangers natalenses são parte do Comando Etílico. Quando viajamos e montamos nosso merchan sempre nos surpreende a busca por nosso material seja ele CD ou Camiseta. Isso nos ajuda em muitos aspectos, desde o financeiro a até mesmo o artístico. É sempre bom para uma banda autoral saber que estão apostando em sua música comprando um disco ou usando sua marca estampada no peito. Pra nós isso é muito importante.


Renato Batista - As letras da banda falam algumas vezes sobre o “orgulho headbanger”, parecido com que o Manowar compõe. A temática do Manowar te inspira na hora de compor?

Hervall Padilha – A temática sim, mas não especificamente a do Manowar! Na verdade meu orgulho Headbanger (falo a respeito do que escrevo) contido nas letras do Comando Etílico vem de um lado mais urbano. Penso que abordar tais temas é algo fundamental numa banda de Heavy Metal. Todavia não deve haver fronteiras para a liberdade poética de uma banda! Falamos de diversos temas em nossas letras, pois temos um misto de personalidade também como seres humanos. Isso reflete diretamente em nossas letras.


Renato Batista - Falando em Headbangers. Com os shows pelo Nordeste que a banda já fez você pode falar dentre as cidades já observadas, onde têm os mais presentes e que apoiam a cena underground?

Hervall Padilha – Difícil falar do movimento metálico de uma cidade apenas numa noite. Isso é muito relativo. Tocamos em cidades pequenas com casa cheia e noutras maiores com metade do público supostamente esperado. Às vezes você está numa cidade pequena e olha ao seu redor vendo apenas heróis, isso mesmo, HERÓIS! Headbangers que não se importam com distância, clima, horários. Diferente das facilidades da “cidade grande” Onde se tem um show por semana com ótimas bandas e ainda assim preferem ficar em casa ou mesmo navegando em oceanos cibernéticos para reclamar de eventos que nem se quer foram! Penso que cada cidade tem sua virtude e é dela que sempre devemos lembrar.


Renato Batista - Depois de Fortaleza, Mossoró, Natal, etc... Quando será a vez de alguma cidade pernambucana? Alguma proposta? Posso lhe dizer que o público está ansioso para vê-los ao vivo.

Hervall Padilha – Ótimo saber disso! E sim, existem contatos sim! Muito provavelmente em Janeiro faremos um barulho em Recife. Sem data ou mesmo local definidos, mas o contato foi feito e será ótimo poder estar com vocês muito em breve. Preparem o pescoço e o fígado (risos).


Renato Batista - Além do Nordeste: Norte, Sudeste... Algum contato que possa levar a banda a todo Brasil?

Hervall Padilha - Sim, mas ainda não temos uma previsão para sairmos numa mini-turnê. Isso por que temos trabalhos paralelos a banda e o tempo neste caso, tem que ser muito bem administrado. Estamos nos programando aos poucos para que possamos entrar de férias de nossos trabalhos numa mesma época para que possamos agendar datas no Sudeste e Sul.


Renato Batista - A banda ao vivo atrai vários headbangers que já vão (boa parte) com as letras na ponta da língua. Quais são as músicas que o público mais enlouquece quando a banda toca?

Hervall Padilha – A canção mais pedida é sem dúvida “Ritual”. Mas quanto a ter a letra na ponta da língua, creio ser por pura afinidade com nosso trabalho e pra nós receber isso num show, além de positivo serve pra nós como oxigênio pra seguir adiante!


Renato Batista - Recentemente o Vocalista do Shaman (Thiago Bianchi) escreveu um
manifesto onde falou: “O público nacional baba bandas de fora do país, e que eles deviam apoiar bandas daqui”, e no meio de dezenas de ofensas disse: “A cena nacional só terá o respeito merecido e os músicos poderão viver de música quando os headbangers nacionais lotarem estádios para nossas bandas e forem à luta pelo o que é nosso”. Queria saber sua opinião sobre o que acontece na cena nacional. O público cospe nas bandas daqui ou o nacional têm seu público fiel da mesma forma como o metal de fora? Música tem nacionalidade ou devemos ouvir o que achamos audível independente se vem do interior do ceará ou do interior da Rússia? A vida de músico de metal no Brasil é tão desvalorizada como falou Thiago?

Hervall Padilha – Isso não é tão simples de responder. Principalmente se temos uma opinião formada a respeito de que “só presta o que é gringo”. Discordo! Penso que achar que DEVEMOS apoiar o que é nosso não é algo tão democrático uma vez que você teria a obrigação de apoiar até uma banda que não gosta apenas por ser brasileira. Afinal de contas, devemos apostar naquilo que nos agrada em vários aspectos não importando a origem do mesmo (me refiro à música Heavy feita no mundo). Encaro o movimento metálico nacional como um dos mais fortes do planeta. Mas isso nada tem a ver com viver de música. Falo como Headbanger, como alguém que tem 26 anos de estrada e viu muito acontecer e deixar de acontecer. Falo como alguém que compra discos até hoje e “apoia” bandas de todas as partes do mundo e por fim, falo como alguém que sonha com uma única bandeira, chamada Heavy Metal. Todos têm seu valor, gringos ou “locais”. Ser reconhecido por tal é outra história a se escrever, sobretudo respeitando a liberdade que todos têm de não gostar da sua música!


Renato Batista - É verdade que toda a arte gráfica (Capa, logo) da banda fica ao seu cargo?

Hervall Padilha – Até então, sim (risos). Trabalho com direção de arte e isso facilita as coisas pra nós em termos de criação.


Renato Batista - Como se definiria um comandante etílico?

Hervall Padilha – Muita gente acha que enfiamos a cara na cachaça e não ligamos pra nada, além disso. Não é verdade! Temos vidas extremamente normais e o álcool pra nós funciona apenas como veículo de diversão que, aliado ao que fazermos como músicos é uma combinação perfeita! Adoramos bebida forte (risos), mas não encontramos nela soluções pra nossas vidas. Somos pessoas muito simples. Ser um membro do Comando é, sobretudo ser apaixonado pela liberdade que o Rock ‘n Roll nos proporciona!


Renato Batista - Agradeço a entrevista Vall, o Comando Etílico é uma das bandas que mantém vivo os anos 80. Os fãs esperam as últimas palavras do Comando Etílico...

Hervall Padilha – Obrigado pelo bate papo, Renatão! Conte sempre conosco. Se precisarem de barulho por aí; chamem o Comando Etílico!

Abraço a todos.

Autoria: Renato Batista

4 comentários:

Anônimo disse...

A entrevista ficou foda, não presenciei a era de ouro do heavy metal(80's) mais fico feliz por ainda existirem bandas tão boas quanto as de outrora, como o comando.


Arthur Vândalo.

marcondes de mossoro disse...

grande banda de grandes amigos, sem falar no show muito foda, uma boa entrevista.

Abddyas disse...

Comando Etílico Herdeiro direto do saudoso Sodoma! Vida longa a esses caras que mantem viva a chama do Metal Classico!

marcondes disse...

grande banda e grandes amigos com seu verdadeiro heavy metal, hail comando!

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