22 de julho de 2010

Entrevista: Deadly Fate


Aqui no Brasil não é normal ouvir uma banda que faça esse gênero tão bem. Confesso que eu achava que só ouviria musica assim se fosse vindo da Europa. As bandas nacionais que tentam fazer metal com influências no clássico sempre acabam exagerando na dose, ficando algo não tão legal. Mas quando ouvi o Deadly Fate tive uma boa surpresa porque a banda toca esse gênero na medida certa, e não ficam para trás de nenhuma banda européia.

A entrevista foi respondida pelo guitarrista Onofre Neto, compositor da banda ao lado de Mauro Oruam.


Renato Batista - Do "Whiplash Attack vol. I" até “Secret Land”, o que mudou na musicalidade da banda? E o que mudou na cena de heavy metal de Natal?

Deadly Fate - Nos anos 80 (sei que o Whiplash foi lançado no ano de 1990, mas sofreu influências diretas da atitude dos anos 80 nas suas letras e som) de maneira geral não havia maldade nas canções mesmo que falassem de coisas ocultas e até do capeta, porque eram uma expressão artística, uma forma diferente de ser e não necessariamente um culto. Mesmo nessa época o Deadly sempre teve uma visão otimista e incentivadora sobre o que devemos fazer com nossas vidas antes do fatídico fim (como BEYOND THE SEA), mas bem como letras mais sombrias que refletiam uma época, uma rebeldia inerente ao estilo, em que se admira o "feio-bonito" como caveiras, dragões etc... O Eddie do Iron é um bom exemplo disso, quem não adora aquela múmia. Neste aspecto o Deadly é representado em músicas como Black Helmet e Heavy Metal Moonlight. Mas com o passar do tempo sentimos (nós letristas) necessidade de sermos mais diretos nas nossas mensagens porque o Heavy Metal se misturou com muita coisa de energia duvidosa como se as pessoas quisessem mesmo que coisas más acontecessem estampando isso em suas letras, capas (com fotos reais de crimes, etc..) e atitudes. Então não podíamos mais nos dar o luxo de sermos mal interpretados ou confundidos com esse tipo de coisa. Então mudamos algumas letras de final trágico do passado e tivemos que nos posicionar com veemência com relação as nossas mensagens. A musicalidade da banda na minha opinião melhorou, mas mais como decorrência do amadurecimento natural dos músicos. Agora quanto ao estilo eu te digo com muita naturalidade, nós nunca mudamos nem NUNCA mudaremos pelo menos enquanto eu estiver : )  agora quanto ao cenário Heavy Metal em Natal está muito bem representado pelas bandas que se propõe a fazer o estilo só que com dificuldades para se apresentar porque os locais e mídia são escassos.

Renato Batista - Em 1989 fazer Heavy metal no Nordeste era algo difícil acredito. Naquela época a banda já tinha elementos sinfônicos ou foi incorporado anos depois?

Deadly Fate - Antes do Rhapsody aparecer a banda já tinha essa intenção mas como você falou era difícil, foi só quando conhecemos o fabuloso maestro da orquestra sinfônica, Prof. Oswaldo D`amore e percebemos a sua receptividade que não perdemos tempo em convidá-lo para uma participação em nosso CD o que foi prontamente aceito por ele. Depois vieram outras participações como as sopranos Angela Maria e Emilly assim como instrumentistas renomados e inclusive o magnífico coral Madrigal que faz a abertura do Secret Land.

Renato Batista - Com todas as participações nos discos, as músicas têm sua cara, mas ao vivo nem sempre a banda pode juntar todos os companheiros no palco. Ainda não tive a oportunidade de ver a banda ao vivo. A banda ao vivo sem poder contar com as participações soa como no CD? Há diferença?

Deadly Fate - Particularmente sempre gostei do Deadly ao vivo, tem um som mais heavy metal, é como se incorporássemos a energia do local, e às vezes era até engraçado porque quando abrimos pro Blind Guardian, por exemplo, por causa do nervosismo, o andamento de todas as músicas foram lá pra cima, super rápido, mas o publico adorou e nós também. Depois do Secret Land começamos a usar o click (metrônomo) na hora de tocar, junto com samplers das partes orquestradas que fica bem legal também, mas contrariando outros membros da banda ainda prefiro a moda antiga. E muitas vezes tocamos sem click hoje em dia, quando o evento envolve outras bandas ou por um motivo ou outro não é prático usar o computador, por outro lado quando o momento é propício e os astros se alinham no universo tocamos com tudo que tem direito; violinos, sopranos, telões e até atuação de atores.

Renato Batista - Como a banda conheceu Oswald D’Amore?    (Maestro argentino, ex violinista da orquestra argentina filarmônica, ex regente da orquestra sinfônica do Rio Grande do Norte)

Deadly Fate - Essa eu devo ao meu pai (onofre junior) que por ser amigo do Prof. Oswaldo tive a oportunidade de conhecê-lo e desfrutar da sua presença na casa dos meus pais em alguns almoços do domingo (por sinal faz um tempinho que não o vejo) mas só depois de tornar-me seu aluno no curso de licenciatura em música da UFRN e de aulas particulares de violino (não toco mais) é que fiz o convite deixando bastante margem para que ele recusasse, qual não foi minha surpresa, quando ele além de aceitar de prontidão se mostrou bastante receptivo para fazer alguns shows conosco e mais tarde nos bastidores de um show me disse: e ai Neto, vamos pro Japão? : )

Renato Batista - O quanto ele é importante musicalmente para a banda?

Deadly Fate - No disco Shine Again ele interpretou a partitura que compomos. Já no Secret Land as partes de violino são dele e de sua família que são todos músicos.

Renato Batista - A música “The Time Took it Away” me surprendeu, acho ela sensacional, quando chega na parte “Where’s now” é magnífico. Fiquei curioso pelos coros da banda. A própria banda faz ou são de músicos convidados?

Deadly Fate - No shine again foram feitos só por mim e Oruam e no Secret Land a maioria sim mas teve umas partes que tivemos o privilégio de ter o Madrigal na abertura e um naipe de coralistas em Mother nature's cry.

Renato Batista - Como anda hoje em dia a fama fora do país, fiquei sabendo que a banda é conhecida na Alemanha e Japão.  Já houve alguma proposta para tocar fora do Brasil?

Deadly Fate - Há uns anos saímos em alguns sites japoneses com uma boa colocação e recebemos cartas e e-mails do mundo todo mas nenhuma proposta séria por parte de produtores foi feita até agora, só especulações.

Renato Batista - Como foi isso de a banda ter sido considerado por um site japonês a 5ª melhor do mundo?

Deadly Fate - Pois é nos deixou bastante felizes, os japoneses adoram este tipo de trabalho e viram no Deadly Fate um potencial que surpreendeu a banda. 

Renato Batista - “Secret Land” está em fase de divulgação. A banda pretende fazer uma turnê pelo nordeste para divulgar o trabalho?

Deadly Fate - Sim, temos um produtor agora, o Tchuêi, que está agilizando isto pra gente. Só temos que conciliar os dias com os trampos dos cavaleiros aqui em Natal para pegarmos a estrada. Agora em agosto temos show marcado em Mossoró.

Renato Batista - Sucesso para a banda obrigado pela entrevista.

Deadly Fate - Agradecemos de coração, sempre que quiser saber da banda estaremos interessados e felizes em responder perguntas tão bem elaboradas e nos desculpe pela demora, o Deadly Fate é como chuva no sertão tarda mas não falha.

Autoria: Renato Batista

2 comentários:

Lucas Davalos disse...

Muito bom

Flávia Fernanda disse...

Show a entrevista nino!

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