5 de junho de 2010

Entrevista: Wagner Campos, Decomposed God

O Decomposed God iniciou sua carreira em 1991 e desde então segue conquistando espaço no cenário de música pesada no Brasil e no mundo.
Ao longo de sua carreira o Decomposed God vem realizando shows ao lado de algumas das bandas mais influentes do Metal mundial, como: Motörhead, Sepultura, Possessed, Incantation, Sadist Intent, Krisiun, Iconoclasm, Torture Squad, entre muitas outras.


A banda acabou de chegar de uma turnê pela europa onde se apresentou em 8 países com 15 shows. 

Renato Batista - Primeiramente, valeu Wagner. Em relação ao CD “Bestiality”, como é para você ouvir tantos elogios desse disco que é considerado por alguns, um dos melhores CDs do metal extremo nacional já lançado?
Wagner Campos Realmente  ouvir  tantos elogios é algo bastante compensador, já que não temos recompensa financeira por lançar um bom disco, ouvir boas críticas paga todo o  trabalho e como todo disco que é lançado de acordo com a nossa realidade, o BESTIALITY foi mais um que saiu  “no peito e na raça”, sem muito apoio, sem muito recurso mas com muita determinação. Grande parte dessas críticas positivas deve-se muito ao nosso guitarrista Marco Antônio, pois foi ele nosso técnico de gravação e mixagem e em seu home Studio conseguiu tirar um som bastante apurado.

Renato Batista - Você também se envolve no processo de composição?
Wagner CamposSempre me envolvo mais na parte musical, onde procuro sempre buscar coisas diferentes, mas sempre mantendo a linha da banda que na minha opinião faz um Death Metal bem autêntico. A parte de letras “a cabeça” é Marco (guitarra) que na maioria das vezes é o ponto de partida, mas os outros participam e compõe também, eu é que não sou muito inteligente pra essas coisas, rsrsrs!!! Mas concordo com toda a ideologia da banda e assino em baixo

Renato Batista - Você deve saber que você é considerado por muitos o melhor baterista de PE. Como é para você ser tão prestigiado em seu instrumento e quais outros bateristas locais você destacaria?
Wagner Campos Então cara, sempre é muito gratificante ser reconhecido pelo seu trabalho, mas nunca me preocupei muito com esse lance de ser melhor ou mais ou menos, na verdade toco por que gosto de música e procuro fazer da melhor forma. De repente o que chama a atenção é que eu tenho meu jeito de tocar e não passo imagem de competição  e nem fico querendo imitar alguém,sempre tento passar verdade nas minhas execuções.
Acho que o grande lance é levar á sério e se dedicar bastante, mas claro que elogios é sempre bom, quem diz que não gosta é papo furado!!
Sempre tivemos bons bateras, e de 10 anos pra cá surgiu uma safra muito boa como Athur do Cangaço, Tiago do Terra Prima, Luciano do Dark Vision, e ainda a safra mais recente como Davi do Recidivus, Fausto do Pandemy entre outros.
  
Renato Batista - Falando nisso, quais são suas maiores inspirações na bateria?
Wagner Campos O que seria de um músico sem suas influências! Claro que tenho as minhas, e são quatro os  responsáveis por estar até hoje tocando; Dave Lombardo (SLAYER), Neil Peart (RUSH),  Gene Hoglan (Ex DEATH) e Igor Cavaleira (Ex SEPULTURA).
Lógico que com o tempo fui gostando de outros, mas esses quatro que citei foram o começo de tudo.

Renato Batista - Agora falando da “Bestiality over europe tour 2010”. Fazendo 15 shows em 7 países europeus. Como foi tocar na Europa? Diferente do Brasil?
Wagner CamposNa verdade foram 15 shows em 8 países (Alemanha, Polônia, Bélgica, Hungria, Croácia, Eslovênia, Bosnia e Itália).
Tocar na Europa sempre foi um grande sonho, pois é lá que as coisas rolam de verdade,o pessoal por lá em geral (público, produtores e etc.) encaram o lance com outros olhos bem diferente da visão do pessoal daqui do Brasil. Eles já tem uma estrutura montada para shows, tipo casas e clubes que frequentemente rolam eventos de Metal, sem contar o profissionalismo das  pessoas que se envolvem na organização como produtores, técnicos de som, roadies e etc.

Renato Batista - Em relação ao público europeu. O Decomposed God foi bem recebido? Os shows tinham bom público? Os europeus já conheciam o trabalho da banda?
Wagner Campos -  Saímos daqui muito confiantes e cientes da nossa maturidade, fizemos ótimos shows e a aceitação do público em geral foi maior do que esperávamos, e o curioso foi ouvir no final de todas as apresentações os gritos do público de “ WE WANT MORE “ que é uma expressão usada por eles para pedir mais um, isso realmente ficará marcado em nossas memórias pra sempre!
Na maioria dos shows tivemos um bom público, pois divulgamos bastante nossos shows através do myspace e isso fez com que a banda ficasse conhecida por lá, só alguns que rolaram em dias como segunda, terça-feira...  que a média caiu um pouco, mas é normal para um início de semana, se fosse por aqui não daria ninguém! Essa é a diferença do público Europeu, mesmo em uma segunda-feira você consegue colocar 150 à 200 pessoas dentro de um clube batendo cabeça e enchendo a cara como se fosse um sábado.

Renato Batista - Dentre os locais que vocês visitaram e tocaram, você destacaria algum? Qual foi mais marcante?
Wagner Campos Cara não tenho nenhum show da tour como o mais especial,todos foram marcantes, pois tudo era novidade mas posso te dizer que de todos os Países que tocamos a Alemanha foi pra mim o País legal, de repente foi onde me senti mais em casa, talvez pela recepção mais calorosa dos produtores e do público também.

Renato Batista - A banda teve início em 1991, desde então são 19 anos. A cena pernambucana teve muitas mudanças nesse tempo? Hoje em dia é mais fácil tocar e gravar em relação há duas décadas?
Wagner Campos –  Cara, não posso fazer uma precisa comparação, pois só comecei a tocar em 1996, e só fiz meu primeiro show 2 anos depois no ano de 1998,não peguei o início dos anos 90 mas com certeza devia ser brabeza!!! No passar dos anos as coisas foram ficando mais fáceis e acessíveis devido ao avanço da tecnologia, mas creio que ainda há muitas dificuldades, pois tudo ainda é muito caro e a falta de profissionalismo na maioria das pessoas para trabalhar com esse tipo de som no Brasil ainda é muito grande.

Renato Batista - Para terminar. E o futuro da banda, vocês pretendem lançar algum novo trabalho ou vão manter a divulgação do “Bestiality”?
Wagner Campos Estamos iniciando o processo de composições para o novo disco, essa será nossa prioridade daqui pra frente, mas paralelamente continuaremos divulgando o BESTIALITY até que o próximo seja lançado, ano que vem o DG fará 20 anos de estrada e a idéia é lançar o disco  para fazer parte das comemorações dessas duas décadas dedicadas ao DEATH METAL.

Renato Batista - Obrigado mais uma vez Wagner, parabéns pelo trabalho com a banda e um ótimo futuro para banda.
Wagner Campos - Obrigado você Renato pela oportunidade e pela confiança, boa sorte nos seus trabalhos também! Valeu e até a próxima.

Autoria: Renato Batista

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